24 Maio 2006

O drama da vida real do momento nos Estados Unidos tem por protagonista... um cavalo. É verdade que não se trata de uma vulgar pileca: Barbaro, um puro-sangue de três anos de idade, avaliado em cerca de 25 milhões de euros, era para muitos entendidos das corridas o melhor exemplar a pisar as pistas em meio século. Agora, com a tripla fractura na perna direita traseira, sofrida no último sábado, a sua esperança mais optimista é acabar os dias numa quinta de reprodução.
A ascensão e queda deste corredor de nome sugestivo tem todos os ingredientes da tragédia clássica: há uma semana, Barbaro era a grande esperança dos amantes da modalidade. Depois da esmagadora vitória no clássico Kentucky Derby, ninguém duvidava da sua capacidade para juntar ao currículo as Preakness Stakes e Belmont Stakes, atingindo a mítica Triple Crown, o grand slam das corridas de cavalos na América.
O sonho de assistir a uma proeza só alcançada por onze puros-sangue em quase 90 anos - e que nenhum consegue repetir desde 1978- acabou, num passo em falso, na primeira volta do Preakness Stakes. Barbaro foi o último a aperceber-se da tragédia. Movido pela adrenalina, ignorou a dor e os esforços do jockey Edgar Prado para o imobilizar, mantendo o galope durante algumas dezenas de metros. O suficiente para agravar consideravelmente a lesão.
O que se seguiu poderia ser comparado à cobertura mediática da tragédia de uma estrela de Hollywood: do resgate numa ambulância especializada em pleno hipódromo, à vigília angustiada do proprietário, Roy Jackson, durante as cinco horas de cirurgia, este domingo, todos os esforços para salvar o puro-sa
ngue foram acompanhados, em tempo real, por milhões de norte-americanos. Nas notícias de ontem, da CNN ao New York Times, um dos grandes destaques era a boa nova: "Barbaro está a recuperar".Com uma placa de titânio e 23 parafusos a unirem-lhe os ossos desfeitos, carregado de sedativos e antibióticos administrados por via intravenosa, o puro-sangue apresentava-se ontem invulgarmente em forma. Para além de já se conseguir apoiar na perna partida - progresso essencial para evitar complicações futuras nos outros membros-, Barbaro alimentou-se normalmente. Mais auspiciosa ainda foi a revelação do seu treinador, Michael Matz, segundo o qual o cavalo terá mesmo chegado a "flirtar" com as companheiras do sexo feminino, na unidade de cuidados permanentes do hospital de animais da Universidade da Pensilvânia.
Mas os especialistas mantêm-se cautelosos, a
tribuindo-lhe 50% de hipóteses de sobreviver. Demasiadas coisas podem ainda correr mal, desde uma nova fractura, num movimento brusco, ao desenvolvimento de infecções nos órgãos internos.A evolução tecnológica aumentou as esperanças de recuperação deste tipo de lesões. Após a cirurgia, Barbaro foi imerso numa piscina para poupar as pernas e evitar lesões internas (devido ao seu peso, os cavalos não podem passar muito tempo deitados). Mas os médicos reconhecem que raramente se deparam com casos tão graves. Até porque a maioria dos animais são abatidos.
in Informação Online






